Menina da cidade vai ao Campo

Este fim de semana fomos celebrar o aniversário do avô José. Para a Madalena é sempre uma animação quando vai a casa dos avós, e isso envolver ida às galinhas e passeio pela horta melhor ainda.

 

Ela é feliz e eu? Eu sou mais feliz ainda!

Antes de ser mãe

Muitas vezes dou comigo a pensar o que fazia eu com o tempo livre antes da Madalena nascer? Pois não sei… na verdade nem me lembro bem de como era a minha vida, pós-casamento e pré-Madalena… já abordei este assunto com o meu marido e ele também não me sabe responder.

Se pensar bem consigo lembrar-me de coisas que fazíamos a dois e agora já não é tão comum o fazermos. Idas ao cinema decididas quase no próprio dia, apenas porque sim. Ir comer fora a sítios novos, agora vamos mais vezes comer fora de casa mais por não haver nada para comer do que por prazer. Acordar tarde e fazer do pequeno almoço almoço e estar de pijama a borregar no sofá o resto do dia. Conhecer lugares novos e tirar montanhas de fotos tolas e divertir-mo-nos com isso.

A minha (nossa) vida mudou muito… mas não me vejo a voltar aos hábitos antigos. Nem me lamento por não dormir até ao meio dia como antes (na verdade já aconteceu 1 vez ficarmos todos a dormir quase até ao meio dia… nenhum de nós sabia como reagir quando isso aconteceu). Viagens e lugares novos vão cruzar o meu (nosso) caminho tenho a certeza.

O que faco com o meu tempo livre? Sou uma mulher feliz (com tudo o que veio anexado ao papel de mãe).

Balanço 2017

Nunca fui de fazer balanços quando chega o final do ano. Também não sou daquelas pessoas que fazem uma lista de objectivos para o ano seguinte. Quando chego a esta altura do ano apenas peço que o ano seguinte seja igual o melhor do que este. Na verdade tem sido sempre melhor… mesmo quando as coisas não correm como nós queremos acabamos sempre por aprender alguma coisa. Cada vez mais, chego à conclusão que sou uma pessoa positiva porque nesta altura nunca me lembro do que correu mal durante o ano. Apenas das coisas boas… É obvio que também já tive os meus anos menos bons, quando os meus avós morreram, quando o meu pai esteve internado por causa de uma trombose… Eu sei lá mais o quê. Nas não são esses momentos que ficam marcados. Sou muito agradecida pelas coisas que tenho (conquistado a pulso) e pessoas que tenho perto de mim. São elas que fazem ano após ano os meus dias felizes. Nesta passagem de ano vou tentar manter algumas das “minhas tradições”: cuecas azuis vestidas (de preferência novas), dinheiro no bolso (ou no sutian caso não tenha bolsos na roupa escolhida), os 2 pés bem assentes no chão e brinde com os meus amores (que são aqueles que levam o primeiro beijinho de 2018). Perguntam vocês e as passas? Nem vê-las oh coisa do inferno!

Aldeia Colorida

Este ano viemos passar o Natal com os meus pais na aldeia colorida (como a a Madalena lhe chama). Na verdade ela tem razão, esta aldeia é colorida a cada época do ano tem uma coloração diferente. Pois nem os dias chuvosos, de nevoeiro e cheios de frio lhe tiram a cor. As pessoas são muito calorosas, todos se conhecem e tratam-se como se da mesma família fossem. No verão esta aldeia colorida enche-se de pessoas que de alguma forma têm cá raízes, mas é no inverno que ela mantém o seu encanto especial. São poucas as pessoas “de fora” que vêm cá e a aldeia é só dos seus habitantes e dos seus afazeres habituais.

No Natal há a tradição de se acender no Largo da igreja um cepo (na verdade são várias raízes de árvores e lenha velha, o que se arranjar para fazer uma fogueira gigante) e este ano não foi excepção. As pessoas depois de jantar vão um bocadinho até ao cepo, conversar e passar tempo até à hora de abrir as prendas. Assim o fizemos este ano, não havia quase ninguém em volta do cepo… ficamos um bocadinho a conversar e voltamos para casa.

Este é o retrato de uma aldeia em extinção, lembro-me de em miúda haver tantas pessoas em volta do cepo que quase não havia lugar para nos aquecemos. Na minha adolescência lembro-me de querer ficar mais tempo em volta do cepo e ter que vir para casa (porque já só estavam homens e as meninas não podiam ficar). Nesta noite, ou na noite de ano novo onde se torna acender o cepo, os rapazes/homens acabavam sempre por arranjar algo que assar nas brasas. Se não aparecia uma oferta havia algum deles que acabava por ir “roubar” alguma galinha ou coelho a casa da mãe ou da avó. No dia seguinte havia sempre uma história nova.

Hoje em dia, as pessoas já não são assim já não há aquele espírito de comunidade onde todos se juntam até para celebrar o Natal. Aqui neste cantinho no norte do país ainda somos uma família, como tal cabe -nos a nós que temos raízes cá manter esta magia que é a da aldeia colorida.