Eu estou a ouvir os meus pensamentos a revirarem a minha cabeça.
Está a aproximar-se o início das aulas online da Madalena, o meu trabalho começa a ficar acumulado e ainda tenho o pequeno Pedro que precisa de atenção constante. Vamos todos ignorar o fato de meter que tratar da comida e da casa…
Sempre tive problemas em dormir, sempre sonhei muito, coisas sem sentido e que muitas vezes me deixam mais baralhada.
Acordar bem disposta nunca foi o meu forte talvez por isso mesmo. Esta pandemia e o confinamento e a limitação constante da minha liberdade de ir e vir quando bem me apetece está a dar cabo de mim. Dormir é equivalente a “pensar” em coisas que não devia. Acordo sempre com ideias tolas.
Adoro andar na rua, a passear, e passear para mim basta ir ali ao centro comercial comprar qualquer coisa.
E agora não posso, não posso e não tenho vontade. Trabalhar em casa e a partir de casa faz com que as saídas sejam quase nenhumas e que a minha casa seja a minha prisão.
Há dias, como hoje, em que me sinto frustrada, irritada, triste e eu sei lá mais o quê.
E amanhã?
Amanhã será um novo dia porque estes dois meninos dependem de mim e eu não vim ao mundo para brincar em serviço.
Today it wasn’t a good day, but tomorrow is time to start again and fight for the happiness of these two.
Estar em casa “fechada” com os dois pequenos terrores está a fazer com o que o tempo que tenho “livre” seja praticamente inexistente. E com isso o meu desafio #traphoto está a ficar pelas ruas da amargura. Durante o dia estou “ocupada” com os meninos e com os afazeres de casa e depois de os adormecer começo a minha jornada de (tele)trabalho. Não está fácil, mas é o melhor que podemos fazer tendo em conta como está a situação em Portugal. Mas deixem lá, na próxima semana por esta hora estarei a lamentar-me por não serem as coisas como são hoje. Nem quero imaginar quando a Madalena começar a escola online…
A palavra de hoje é #flor, mas como não fui ao meu jardim tirar foto aos lindos jarros que lá tenho partilho estas flores que fiz em crochet. Sim eu agora refugio-me nas linhas e nas agulhas para não pensar em coisas “feias”.
These flowers were their favorite toy, for today… Nobody understands them!
Costumo dizer que o meu problema não está na política está nos políticos. E por isso mesmo hoje levei batom vermelho. Porque não podemos deixar que a cor do batom que usamos defina o que somos.
Todos devemos votar e cada vez o fazemos devemos recordar aqueles que não o podem fazer e todos os que lutaram para que nós homens e mulheres o pudéssemos fazer hoje sem medo.
Hoje a minha filha fez-me recordar uma história que se passou comigo creio que 1986 tinha eu 4 anos. Fui com os meus pais votar e recordo-me bem do ambiente, de todo o secretismo em torno de quem se escolhia para votar e como o dia de reflexão era respeitado não se falando partidos ou política.
Na hora de votar fiquei na porta da sala de voto enquanto a minha mãe cumpria o seu dever cívico. Quando ela saiu eu perguntei alto e bom som: oh mãe foste votar no Soares é fixe?
Coitada ela se tivesse um buraco tinha-se metido lá dentro. Não me recordo de qual foi a resposta dela mas esse momento está sempre na minha cabeça no dia das eleições.
Hoje quando chegava a casa depois de votar a minha filha pergunta com um ar muito feliz: e agora já me podes dizer em quem votaste?