Não mudei nada, mas estou diferente

Sinto-me mais bonita. Não mudei nada, continuo a andar com o cabelo desarrumado e até com cabelos brancos a aparecer em grande quantidade, as unhas por pintar e até roídas por vezes, as sobrancelhas a precisarem de manutenção, o rosto sem maquilhagem ou até qualquer creme, nem me lembro quando foi a última vez que meti creme no corpo, mas mesmo com estas coisas todas sinto-me bem. Não precisamos destas coisas todas para estarmos felizes. Como é óbvio eu gosto de andar arranjada mas tenho concentrado o meu tempo em pôr-me linda por dentro e sei que isso se vai refletir no exterior mais dia menos dia.

Ando com vontade de ir as compras e renovar o meu guarda roupa, mas sei que isso só pode ser feito de forma gradual pelos custos associados. Não me importo, basta-me um batom novo e umas jeans novas que assentem bem e sou uma mulher feliz!

Cada vez dou mais valor aos momentos e menos às coisas. E acredito piamente que é nesse princípio que quero criar a minha filha. Quero que um dia ela se lembre dos bolos que fazíamos juntas, das brincadeiras incontáveis com o pai e os pinypons (como ela diz: brincar às malvadas), do colinho doce do avô ou das brincadeiras com as linhas e lãs das avó.

Acho que por enquanto estamos no bom caminho, ela e eu… caminhamos não rumo à felicidade mas em felicidade.

Fomos invadidos pelo Natal

Por todo o lado apareceram enfeites e luzes de Natal. Aqui em casa só damos início à época natalícia no primeiro dia do advento (início de Dezembro), mas com tanto incentivo não sei se resistimos.

Hoje fomos almoçar ao centro comercial e a Madalena reparou nas decorações de de Natal, estava tão feliz. Quando chegámos ao local onde estava a cadeira do Pai Natal, vazia porque era hora de almoço, ficou triste. Eu disse-lhe que ele tinha ido almoçar e ela ficou com a ideia que ele estaria a comer na zona da restauração. Tive que dar a volta inteira para ela ver que ele não estava lá. Convenci-a que ele tinha ido almoçar a casa porque e Mãe Natal tinha feito comida para ele. Lá ficou convencida. Depois de almoçar o Pai Natal já estava no seu devido lugar. E lá fomos nós para a fila. Eu que dizia que não ia fazer estas coisas de esperar meia hora numa fila só para o meu filho se sentar no colo de um velho, gordo e barbudo. Pois é! Fui, esperei e adorei ver como ela estava com um ar deliciado por ver aquele velho, gordo e barbudo de luvas brancas, como ela disse com ar surpreendido. Ela ficou feliz com o livro que ganhou mas, tal como o ano passado, ficou a dizer que queria era um livro do Mickey! Lá vou eu entrar em despesas por causa do Pai Natal que não sabe o que os miúdos querem!

Já pode dar autógrafos

A minha filha não é um prodígio, mas para mim é a melhor do mundo. Hoje desafiei-a a escrever o nome dela e o que saiu foi muito interessante.

As letras não estão nos locais certos bem são as mais bem desenhadas, mas tendo em conta que não teve indicações nenhumas de como o fazer está perfeito.

Agora a minha estrela já está preparada para dar autógrafos ou assinar o livro de cheques.

(Tentamos) Dar preferência aos livros

A Madalena sempre gostou de livros, ainda mal os conseguia agarrar já delirava com eles. Com o passar dos dias, meses e mesmo anos a relação dela com os livros nunca se perdeu e ela continua a adorar mexer neles e até mesmo contar as histórias à maneira dela (faz 4 anos em Dezembro).

A TV acabou por tomar o lugar central no que trata de ocupar o tempo dela cá em casa (na escola também vê desenhos animados mas isso é outra história).

A culpa disso é toda minha! Confesso que é mais simples ligar-lhe a TV e deixá-la a ver desenhos animados enquanto eu faço outra coisa qualquer. Poderia dar-lhe livros para as mãos mais vezes mas tendo em conta o instinto destruidor que ela tem, os livros teriam morte anunciada.

A altura referencial em que exploramos os livros é a hora de dormir. Tanto eu como o pai temos gosto em ler-lhe histórias. Há dias em que até fazemos diferentes vozes para os diferentes personagens. No fim acaba sempre a ser ela a ler-nos a história também antes de arrumarmos o livro.

Aqui que ninguém nos ouve, confesso que me derreto a ouvir o meu marido a contar-lhe histórias ou a brincar com ela. São esses momentos que me fazem ama-lo mais a cada dia que passa.

O livro escolhido esta semana foi “A lagartinha muito comilona” .

A história é muito simples e mostra como é a vida da lagarta desde que sai do ovo até se transformar numa linda borboleta. Claro que para isso ela tem que comer muito e cada vez que ela come algo aparece um buraco na folha do livro.

A Madalena já ouviu a história montanhas de vezes mas na segunda-feira passada disse-me com um tom de gozo e com o seu ar malandro: “A mamã comprou um livro cheio de buracos!” E desatou às gargalhadas.

Muito engraçada esta minha filha e só melhora a cada dia que passa.