E eu estou de volta?

Hoje dei-me conta que passaram 3 meses desde que escrevi aqui.

O mais engraçado é que escrever foi o que eu mais fiz nos últimos meses.

Estive a escrever/corrigir e preparar a tese do meu doutoramento… Sim senhores e senhoras eu agora sou Doutora, melhor que isso agora sou Mãe, Mulher Doutora… Eu nunca quis, nem quero ser, tratada de acordo com o grau académico que tenho, mas estou muito feliz por ter conseguido chegar até este ponto.

Foi uma luta muito grande, tive vários entraves ao longo deste processo, desde a dificuldade que é conseguir financiamento, às horas infinitas de trabalho de laboratório e escrita associadas a este tipo de “trabalho”, à falta apoios a quem trabalha em ciência. Parece anedota, mas eu trabalho em ciência desde 2009, faço descontos para a segurança social e não tenho direito nem a fundo de desemprego, nem baixa, nem coisa nenhuma… Enfim não estou aqui a lamentar-me, não vale a pena porque nada vai mudar.

O dia da defesa foi muito esperado, mas não correu como eu tinha idealizado. O COVID tirou-me isso mas não foi por isso que o dia não foi vivido na sua plenitude… não foi uma defesa presencial com todo o formalismo que o processo tem associado e talvez seja por isso mesmo é que eu desfrutei mais.

O que me manteve sã durante estes meses todos foram os meus filhos e a loucura associada à vida de mãe de dois pequenos terroristas. Eles obrigaram-me a sair dos papeis e cansaram-me de tal forma que eu não tinha nem possibilidade física de fazer noitadas.

Andei meses a “empurrar com a barriga” muitas tarefas que não tinha muita vontade de fazer. Usei a defesa como desculpa para não me colocar em primeiro lugar. Estes meses todos “em casa” foram a desculpa perfeita para comer porcarias e ganhar peso, para não comprar roupa nova, para não cuidar das unhas e do cabelo, para não arrumar aquelas coisas que tinham que ir para o sótão, para limpar a fundo os armários…

Agora que “Eu estou de volta” já não tenho desculpa para continuar a perpetuar estas coisas. E para impedir que eu volte a arranjar uma desculpas estou aqui a dizer publicamente (para as 2 pessoas que leem isto) que acabou a preguiça e a inércia.

Eu estou de volta, por isso toca a focar-te em ti, na mulher que és e não as outras mil coisas que também és. Nunca serás totalmente feliz se não te colocares em primeiro lugar.

Por isso minha menina toca a meter pernas (literalmente) ao caminho.

Voltei

Já nem lembrava o quanto gostava de fazer isto.

Entre confinamentos, estadias em casa com crianças, tempo dedicado apenas à escrita acabei por passar pouco tempo no laboratório durante o último ano e meio.

É ali que eu também estou feliz.

Hoje estou podre mas satisfeita por poder estar novamente a fazer perguntas e propor respostas.

PS: escrever em tampas de eppendorfs não é mesmo a minha cena!

Mãe cientista

3 dias fora de casa…

3 dias em que a culpa me invade…

Eu sei que isto de estar fora faz parte da vida profissional de todos, mas desta vez ficou-me o sentimento de estar a falhar aos meus filhos de estar a deixar coisas para segundo plano por causa do trabalho.

No fim ficou a apresentação oral e o trabalho feito.

Eu não devia ser tão exigente comigo mas sinto sempre que por estar a fazer muitas coisas ao mesmo tempo que não faço nada de jeito.