O tempo

A propósito dos 40 anos da FCT, local onde estudei (e ainda estudo), fiz amizades e até encontrei um amor que hoje é o meu marido. Acredito que a minha história começou ali. Fui feliz e ainda sou!

Durante os anos de estudante muitas pessoas cruzam os seus caminhos com os nossos. Tive todo o tipo de amizades e algumas ainda hoje se mantêm, outras pelas circunstâncias temporais e espaciais foram-se diluindo.

Alguns amigos já iam comigo pois tínhamos estudado juntos no secundário, outros foram adicionados ao espólio de amigos com o conviver do dia a dia da vida universitária, outros amigos foram revelados e vimos a nossa relação fortalecida depois dos estudos e estes sei que ficaram para a vida independentemente do local onde vivemos. Eu até tive amizades que nasceram apenas de um simples olhar, de um trocar de 2 ou 3 palavras… que serviram para perceber como eramos parecidas. Mas foram atropeladas pelo tempo e como em todos os acidentes grandes porque grande também é a amizade ficaram cicatrizes e feridas que demoram a sarar e a recuperação está no bom caminho.

Não sei se com todas as pessoas é assim, mas eu não tenho dificuldade em fazer amigos mas manter a amizade viva e de boa saúde é mais complicado. Porque amigos seremos sempre, acabamos é por perder contacto. Uso sempre como justificação para a minha inércia, quando se trata de resolver esta questão, a falta de tempo nem que seja para ir beber um café ou pior ainda mandar aquele email com as novidades.

Vem aí o Natal e tanto se apela ao amor e à partilha, eu espero este ano não ser atropelada pelo tempo (olha novamente a desculpa foleira) e conseguir recarregar algumas amizades até lá.

Parabéns

Parabéns FCT é bom fazer parte da tua história.

Tu és parte da minha e graças a ti hoje sou muito feliz.

FCTense de gema!

Eles não crescem

Os homens são eternos garotos, vai ser sempre assim. A idade não lhes passa pelo espírito. E o de cá de casa não é excepção. Tudo é motivo e desculpa para fazer una graçola.

Boa disposição é sempre uma coisa boa, e graças a ele temos sempre muita disponível. O problema é quando se trata de educar a Madalena, ele é o primeiro a rir-se com as tolices dela. Está sempre a aprontar uma nova. Hoje o jantar tinha esparguete e não é que o menino se lembrou de encher a boca e deixar metade do esparguete do lado de fora. Levanta os olhos do prato e vai de mostrar à filha o lindo serviço. Arrependeu-se numa fração de segundos mas, mesmo assim foi o tempo suficiente para eu lhe fazer cara de má.

Ora eu ando sempre a dizer que não se brinca com comida e o pai faz uma coisa destas! Não me zanguei e ainda acabei por me rir da situação e comentei com ele que ainda está para chegar o dia que ele vai crescer.

És uma eterna criança sempre disposto a brincar e a fazer piadas sem graça nenhuma, e na verdade também é por isso que eu te amo.

A princesa é filha de dois cientistas

A minha mudou completamente quando descobri que estava grávida, mas mal eu sabia o que vinha pelo caminho! Faz 4 anos por estes dias estava grávida de 8 meses e uns trocos… Achava-me linda, era a mulher mais feliz do mundo. Adorava fazer festas na minha barriga, que mais parecia uma abóbora daquelas gigantes. Na verdade não era só eu que gostava de fazer festas na minha barriga, todos se achavam no direito de lhe mexer. Os meus meninos da catequese nem se fala, sentia-me a lâmpada do aladino de tanto que eles me esfregavam a barriga. O que se passa na cabeça das pessoas que assim que vêm a barriga de uma grávida se sentem no direito de lhe mexer. Se eu não tivesse grávida também me vinhas mexer na barriga?

8 meses de grávida

Quando agora olho para as minhas fotos de quando estava grávida é que tenho a noção do quão gigante eu estava. Eu tenho 1,80 m e com esta barriga devia parecer um verdadeiro elefante! Pelo menos pesava tanto como um. Como é que eu nunca me apercebi da dimensão da coisa? Na última consulta de grávida no posto médico, quando a enfermeira me mandou subir para a balança não estava muito confiante, mas o pior estava para vir. Quando ela começa a dizer então a Ana pesa cento e… Eu interrompi e disse não quero saber o valor! Foi nesta altura que fiquei com a perfeita noção que eu não queria ser gorda, não queria ter que carregar 100 Kg todos os dias. Quando a anestesista me perguntou quanto eu pesava por causa da dose da epidural o valor voltou a assombrar-me. Brinquei com a situação e disse que não sabia o valor mas que era mais de cem…

A jornada de perder peso foi complicada e na verdade acho que ainda é. Mas agora isso já não me importa! O peso é só um número e esse número não serve para medir a minha felicidade. Não vivo atormentada com aquilo que como, apenas penso bem antes de comer. Será que estás mesmo com fome ou é só falta do que fazer. O tempo livre, para mim, é sinónimo de vou ver o que tenho no armário para comer! Então qual é o meu truque para não andar constantemente a petiscar? É comer tudo o que me apetecer, apenas tendo em conta que não posso comer tudo a toda a hora e em quantidades industriais! Onde será que foi que eu ouvi isto? 😉 Obrigada!

Cada vez que se aproxima a data do aniversário da Madalena, fico nostálgica e recordo com muito amor e felicidade como eu preparei a vinda dela. Não foi decorando o quarto dela, que esse só ficou completo já ela tinha 9 meses, mas decorando o meu coração com todos os tons de rosa. Logo eu que nunca fui uma menina de cor de rosa, nem era a minha cor preferida. Assim que o médico me confirmou que eras uma menina eu passei a ver só em tons rosa! Tudo o que era pequeno e rosa eu dizia: “oh que fofinho!” E o marido dizia: “só cor-de-rosa, só cor-de-rosa, já não posso com tanto rosa.” Conclusão assim que ela nasceu e agora cada vez mais é o rosa que ele gosta mais!

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Madalena, a princesa filha de dois cientistas que não conseguem encontrar medida para quantificar o amor que sentem por ti e que cada dia é maior.

Não mudei nada, mas estou diferente

Sinto-me mais bonita. Não mudei nada, continuo a andar com o cabelo desarrumado e até com cabelos brancos a aparecer em grande quantidade, as unhas por pintar e até roídas por vezes, as sobrancelhas a precisarem de manutenção, o rosto sem maquilhagem ou até qualquer creme, nem me lembro quando foi a última vez que meti creme no corpo, mas mesmo com estas coisas todas sinto-me bem. Não precisamos destas coisas todas para estarmos felizes. Como é óbvio eu gosto de andar arranjada mas tenho concentrado o meu tempo em pôr-me linda por dentro e sei que isso se vai refletir no exterior mais dia menos dia.

Ando com vontade de ir as compras e renovar o meu guarda roupa, mas sei que isso só pode ser feito de forma gradual pelos custos associados. Não me importo, basta-me um batom novo e umas jeans novas que assentem bem e sou uma mulher feliz!

Cada vez dou mais valor aos momentos e menos às coisas. E acredito piamente que é nesse princípio que quero criar a minha filha. Quero que um dia ela se lembre dos bolos que fazíamos juntas, das brincadeiras incontáveis com o pai e os pinypons (como ela diz: brincar às malvadas), do colinho doce do avô ou das brincadeiras com as linhas e lãs das avó.

Acho que por enquanto estamos no bom caminho, ela e eu… caminhamos não rumo à felicidade mas em felicidade.