Aumentar o ego e a auto-estima

Estou numa fase da vida em que cada vez dou me dou mais valor. Faço por promover o meu bem estar. Se não for eu a fazê-lo quem o fará? Pequenas coisas fazem uma grande diferença, pelo menos para mim, basta-me ir arranjar as unhas, colocar pestanas ou até comprar uns brincos novos no chinês e fico logo mais vaidosa e com o ego no máximo.

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Hoje foi o dia em que eu pensei que se lixe eu também mereço um bocadinho de mimo. Unhas pintadas (de forma duradoura, pois são de gel) e um batom nos lábios e sinto-me uma mulher nova. Quase que me fez esquecer que gastei uma pipa de massa no mecânico com o carro.

 

 

 

 

Tia Maria das Galinhas

Hoje era o dia do teu aniversário.

Fazias 96 anos!

A minha avó Ofélia era uma mulher cheia de força. Criou os seus filhos e os do seu marido (frutos do primeiro casamento) da melhor forma que soube. Ela foi o homem e a mulher da casa depois do meu avô ter tido um acidente com o carro de bois e ter perdido uma perna, foi ela que meteu o pão na mesa. Vendia fruta e legumes na praça de Peniche e muitas pessoas conheciam-na por tia Maria das Galinhas… alguns dos filhos tratavam-na carinhosamente dessa maneira também. A verdade é que ela adorava andar de volta das Galinhas a dar-lhes comer e água e a recolher os ovos que elas punham. Criava-as desde o ovo, ou comprava já os pintos com alguns dias, a finalidade delas depois de bem gordinhas era sempre a panela.

Eu sempre me deliciei com as idas à casa dela e com a possibilidade de andar no meio dos bichos. Ela tinha tanto cuidado com os seus pintos que eles até tinham uma lâmpada que os aquecia de noite. Trabalho não lhe faltava.

Ela era MESTRE na arte de fazer renda de bilros e será sempre assim como está na foto que eu me recordei dela. Sentada no sofá em frente à TV a fazer renda com a sua gata sentada no colo e apanhar o solinho da rua através do vidro da porta. Era sempre aqui que a encontrávamos quando lá chegávamos para a visitar. Na verdade cada vez que lá vou e passo pela porta da casa dela olho para o vidro com a esperança de ver novamente a sua figura sentada ainda a fazer renda, mas não, a almofada está lá no mesmo sítio mas o barulho dos bilros a bater uns nos outros já só eu é que ouço na minha cabeça.

Avó velhinha, com a Madalena lhe chamava, agora que és uma estrela no céu olha por nós.

Bem sei que muitas vezes deves estar a rir-te de nós e pensar como dizias muitas vezes: “olha eu tenho um ouvido para ouvir e outro para deixar ir”.

Talvez seja esse o segredo da longevidade.

Eu tenho cabelos brancos

Não me consigo lembrar quando foi a primeira vez que pintei o meu cabelo, mas penso que terá sido lá pelos meus 15 – 16 anos. Desde que comecei pintei o cabelo de muitas cores, vários tons de preto, castanhos e vermelhos. Nunca me aventurei em cores berrantes como verde, azul ou rosa, mas também nunca tive coragem para ficar loira!

Quando engravidei da Madalena, decidi que era uma boa altura para deixar de pintar o cabelo. Acredito que os químicos que existem nas tintas iriam entrar no organismo do meu bebé e parei. Até hoje não voltei a pintar o cabelo, passaram-se 4 anos, já pensei muitas vezes que devia voltar a pintar o cabelo porque eu gostava bastante de mudar de cor e daquele sentimento de felicidade quando olhava para o espelho e me via com outra cor. A verdade é agora eu tenho cabelos brancos e eles também já me levaram a querer voltar a recorrer às tintas. O desejo de querer parar o tempo, esconder os cabelos brancos é muitas vezes bem grande.  Hoje quando me olhei ao espelho depois de me pentear pensei: porque querei eu apagar os cabelos brancos e as rugas? Estás errada, apagar essas marcas é apagar histórias e momentos que são só teus e quando os olhares vais-te lembrar como elas são resultado de uma vida feliz.

Foto de Ana Almeida.

Tenho cabelos brancos, pois tenho! Eu sou muito feliz com eles.

Sou mãe só isso…

Faz muito tempo que não escrevo por estas bandas. A vida não me tem sido meiga, trabalho, filha doente, afazeres normais da casa que acumulam, comida que já escasseia no armário e no frigorífico… e sabe-se lá mais o quê.

Com tanta coisa pelo caminho acabo por ceder à pressão e os que me estão mais próximos levam com os estilhaços. Muitas vezes rebento mesmo como se fosse uma bomba, basta um pequeno toque e bum! A convivência com o marido sofre e muitas vezes parecemos 2 telemóveis sem rede durante uma chamada e a conversa perde-se e não flui, não é harmoniosa e prazerosa como devia ser. Muitas vezes até dou por mim a pensar que sinto falta de quando éramos namorados, não sei bem do quê em particular mas de vez em quando fico nostálgica. A filha tem também sofrido com o meu stress e a minha falta de tempo e organização. Passo menos tempo com ela e tenho menos vontade de brincar com as bonecas porque me sinto exausta. A vida de crescido é uma treta.

Mas nada acontece por acaso e nada dura eternamente… O trabalho abrandou, a casa voltou à desorganização normal e eu disse para mim mesma acabou! Não vale a pena andar com stress e a correr por coisas que não são o essencial na minha vida. Estou mais concentrada em mim e em estar com a minha filha e com o meu marido. O tempo e as ansiedades têm sido geridos de outra forma.

Mesmo com toda a confusão do mês de fevereiro tivemos os nossos momentos de família e tempo dedicado só a nós. Cinema, parque alimentar os patos e pombos e um belo festejo de carnaval.

Antes de ser mãe

Muitas vezes dou comigo a pensar o que fazia eu com o tempo livre antes da Madalena nascer? Pois não sei… na verdade nem me lembro bem de como era a minha vida, pós-casamento e pré-Madalena… já abordei este assunto com o meu marido e ele também não me sabe responder.

Se pensar bem consigo lembrar-me de coisas que fazíamos a dois e agora já não é tão comum o fazermos. Idas ao cinema decididas quase no próprio dia, apenas porque sim. Ir comer fora a sítios novos, agora vamos mais vezes comer fora de casa mais por não haver nada para comer do que por prazer. Acordar tarde e fazer do pequeno almoço almoço e estar de pijama a borregar no sofá o resto do dia. Conhecer lugares novos e tirar montanhas de fotos tolas e divertir-mo-nos com isso.

A minha (nossa) vida mudou muito… mas não me vejo a voltar aos hábitos antigos. Nem me lamento por não dormir até ao meio dia como antes (na verdade já aconteceu 1 vez ficarmos todos a dormir quase até ao meio dia… nenhum de nós sabia como reagir quando isso aconteceu). Viagens e lugares novos vão cruzar o meu (nosso) caminho tenho a certeza.

O que faco com o meu tempo livre? Sou uma mulher feliz (com tudo o que veio anexado ao papel de mãe).