Este fim de semana fomos celebrar o aniversário do avô José. Para a Madalena é sempre uma animação quando vai a casa dos avós, e isso envolver ida às galinhas e passeio pela horta melhor ainda.
Ela é feliz e eu? Eu sou mais feliz ainda!
Este fim de semana fomos celebrar o aniversário do avô José. Para a Madalena é sempre uma animação quando vai a casa dos avós, e isso envolver ida às galinhas e passeio pela horta melhor ainda.
Ela é feliz e eu? Eu sou mais feliz ainda!
Hoje era o dia do teu aniversário.
Fazias 96 anos!

A minha avó Ofélia era uma mulher cheia de força. Criou os seus filhos e os do seu marido (frutos do primeiro casamento) da melhor forma que soube. Ela foi o homem e a mulher da casa depois do meu avô ter tido um acidente com o carro de bois e ter perdido uma perna, foi ela que meteu o pão na mesa. Vendia fruta e legumes na praça de Peniche e muitas pessoas conheciam-na por tia Maria das Galinhas… alguns dos filhos tratavam-na carinhosamente dessa maneira também. A verdade é que ela adorava andar de volta das Galinhas a dar-lhes comer e água e a recolher os ovos que elas punham. Criava-as desde o ovo, ou comprava já os pintos com alguns dias, a finalidade delas depois de bem gordinhas era sempre a panela.
Eu sempre me deliciei com as idas à casa dela e com a possibilidade de andar no meio dos bichos. Ela tinha tanto cuidado com os seus pintos que eles até tinham uma lâmpada que os aquecia de noite. Trabalho não lhe faltava.
Ela era MESTRE na arte de fazer renda de bilros e será sempre assim como está na foto que eu me recordei dela. Sentada no sofá em frente à TV a fazer renda com a sua gata sentada no colo e apanhar o solinho da rua através do vidro da porta. Era sempre aqui que a encontrávamos quando lá chegávamos para a visitar. Na verdade cada vez que lá vou e passo pela porta da casa dela olho para o vidro com a esperança de ver novamente a sua figura sentada ainda a fazer renda, mas não, a almofada está lá no mesmo sítio mas o barulho dos bilros a bater uns nos outros já só eu é que ouço na minha cabeça.
Avó velhinha, com a Madalena lhe chamava, agora que és uma estrela no céu olha por nós.
Bem sei que muitas vezes deves estar a rir-te de nós e pensar como dizias muitas vezes: “olha eu tenho um ouvido para ouvir e outro para deixar ir”.
Talvez seja esse o segredo da longevidade.
Não me consigo lembrar quando foi a primeira vez que pintei o meu cabelo, mas penso que terá sido lá pelos meus 15 – 16 anos. Desde que comecei pintei o cabelo de muitas cores, vários tons de preto, castanhos e vermelhos. Nunca me aventurei em cores berrantes como verde, azul ou rosa, mas também nunca tive coragem para ficar loira!
Quando engravidei da Madalena, decidi que era uma boa altura para deixar de pintar o cabelo. Acredito que os químicos que existem nas tintas iriam entrar no organismo do meu bebé e parei. Até hoje não voltei a pintar o cabelo, passaram-se 4 anos, já pensei muitas vezes que devia voltar a pintar o cabelo porque eu gostava bastante de mudar de cor e daquele sentimento de felicidade quando olhava para o espelho e me via com outra cor. A verdade é agora eu tenho cabelos brancos e eles também já me levaram a querer voltar a recorrer às tintas. O desejo de querer parar o tempo, esconder os cabelos brancos é muitas vezes bem grande. Hoje quando me olhei ao espelho depois de me pentear pensei: porque querei eu apagar os cabelos brancos e as rugas? Estás errada, apagar essas marcas é apagar histórias e momentos que são só teus e quando os olhares vais-te lembrar como elas são resultado de uma vida feliz.

Tenho cabelos brancos, pois tenho! Eu sou muito feliz com eles.
Faz muito tempo que não escrevo por estas bandas. A vida não me tem sido meiga, trabalho, filha doente, afazeres normais da casa que acumulam, comida que já escasseia no armário e no frigorífico… e sabe-se lá mais o quê.
Com tanta coisa pelo caminho acabo por ceder à pressão e os que me estão mais próximos levam com os estilhaços. Muitas vezes rebento mesmo como se fosse uma bomba, basta um pequeno toque e bum! A convivência com o marido sofre e muitas vezes parecemos 2 telemóveis sem rede durante uma chamada e a conversa perde-se e não flui, não é harmoniosa e prazerosa como devia ser. Muitas vezes até dou por mim a pensar que sinto falta de quando éramos namorados, não sei bem do quê em particular mas de vez em quando fico nostálgica. A filha tem também sofrido com o meu stress e a minha falta de tempo e organização. Passo menos tempo com ela e tenho menos vontade de brincar com as bonecas porque me sinto exausta. A vida de crescido é uma treta.

Mas nada acontece por acaso e nada dura eternamente… O trabalho abrandou, a casa voltou à desorganização normal e eu disse para mim mesma acabou! Não vale a pena andar com stress e a correr por coisas que não são o essencial na minha vida. Estou mais concentrada em mim e em estar com a minha filha e com o meu marido. O tempo e as ansiedades têm sido geridos de outra forma.
Mesmo com toda a confusão do mês de fevereiro tivemos os nossos momentos de família e tempo dedicado só a nós. Cinema, parque alimentar os patos e pombos e um belo festejo de carnaval.



Tenho passado mais tempo com a minha filha, infelizmente não pelos melhores motivos. Tem andado doente desde meados de Janeiro que temos tido sessões de on/off de febre, ranho (de todas as cores possíveis), tosse, nariz entupido, otite, faringite e para acabar uma sessão de borbulhas nos membros e pescoço. Valeu-nos os avós que ficaram com ela estes dias todos e que cuidaram dela com direito a tudo o que é mimo.

Perante este cenário conjugado com trabalho aos potes e em cima da hora e com prazos apertados a minha vida tem sido uma confusão. Fazer compras (daquelas que fazem mesmo falta como comida e afins) ficou para segundo plano, arrumações e limpezas o mesmo, cozinhar e planear o que comer de um dia para o outro esqueçam! Não me consegui organizar por nada. Mais uma vez valeu-me a minha mãe que fez comida para todos MUITAS vezes nestes últimos dias/semanas.
Parece-me que está a chegar à bonança pois as maleitas da Madalena estão a acalmar e ela em breve voltará para a escola com a sua rotina diária, o trabalho apesar de não diminuir está organizado de outra forma e por enquanto sei o que tenho o que fazer e sem prazos apertados. E com isto espero conseguir voltar também às minhas rotinas.

Hoje depois do almoço aproveitando o sol e a boa disposição da Madalena fizemos uma caminhada aqui mesmo pelo bairro ao lado do dos meus pais. Coisa simples, mas para ela e para mim valeu muito, tivemos a hipótese de estar em contacto com a natureza e eu até me lembrei de como fui feliz a fazer exactamente o mesmo com a minha mãe.

A avó mostrou-lhe uma brincadeira que fazíamos quando eu era pequena. Antes de abrir as papoilas descobrir a cor delas… era vê-la toda feliz a cada uma que abria. Apanhou muitas flores, que depois a avó teve que meter numa jarra porque :”são tãooooo lindas avó!”
