Antes de ser mãe

Muitas vezes dou comigo a pensar o que fazia eu com o tempo livre antes da Madalena nascer? Pois não sei… na verdade nem me lembro bem de como era a minha vida, pós-casamento e pré-Madalena… já abordei este assunto com o meu marido e ele também não me sabe responder.

Se pensar bem consigo lembrar-me de coisas que fazíamos a dois e agora já não é tão comum o fazermos. Idas ao cinema decididas quase no próprio dia, apenas porque sim. Ir comer fora a sítios novos, agora vamos mais vezes comer fora de casa mais por não haver nada para comer do que por prazer. Acordar tarde e fazer do pequeno almoço almoço e estar de pijama a borregar no sofá o resto do dia. Conhecer lugares novos e tirar montanhas de fotos tolas e divertir-mo-nos com isso.

A minha (nossa) vida mudou muito… mas não me vejo a voltar aos hábitos antigos. Nem me lamento por não dormir até ao meio dia como antes (na verdade já aconteceu 1 vez ficarmos todos a dormir quase até ao meio dia… nenhum de nós sabia como reagir quando isso aconteceu). Viagens e lugares novos vão cruzar o meu (nosso) caminho tenho a certeza.

O que faco com o meu tempo livre? Sou uma mulher feliz (com tudo o que veio anexado ao papel de mãe).

Ser mãe é ter medo

Cada vez faz mais sentido para mim esta afirmação: ser mãe é ter medo. Desde que descobri que estava grávida da Madalena passei a ver o mundo com outros olhos e a palavra e o sentimento – medo – passaram a fazer parte do meu vocabulário. Os primeiros 3 meses há o medo de as coisas não estarem bem com o bebé, o medo de abordar, o medo de comer e fazer certas coisas… coisas simples como subir a uma cadeira e tirar algo pesado de cima de um armário. No segundo trimestre os medos começam (pelo menos para mim) a diminuir, mas se pensar bem ele anda sempre presente. Entramos no terceiro trimestre e aí chega o medo que a criança nasça cedo demais, antes de estar completamente formada, e há para muitas mulheres o medo do parto.

Eu acho que nunca tive medo do parto, não sei porquê mas foi a algo que sempre encarei com tranquilidade. Apesar de todas as mulheres com quem falava sobre o parto, ou melhor que faziam questão sem eu pedir, partilharem a sua experiência trágica do parto. Parece que há a necessidade de mostrar que foi muito difícil e que elas foram umas desgraçadas e sofreram muito e que nós também temos que sofrer. Mulheres por favor se a vossa experiência foi má não assustem as grávidas de primeira maré, antes de começarem a falar do horror da tragédia perguntem se elas querem saber! E se não têm algo se bom ou agradável para dizer por favor ESTEJAM CALADAS!

Mas voltando ao medo, depois da criança nascer o primeiro medo (pelo menos o meu foi) será que eu tenho leite para ela? Esse foi também um dos medos que me acompanhou durante a gravidez… e infelizmente acabou por se confirmar, não consegui alimentar em exclusivo a minha filha com leite materno. Na verdade tambem não tive acompanhamento nesta área, nunca ninguém nas minhas idas ao médico me perguntou se eu precisava de ajuda nesta questão que é o amamentar. Foi uma experiência dolorosa, física e psicologicamente, e como tal a melhor opção na altura era o leite adptado. Não posso mudar a história, não acredito que tenha feito mal. Só penso que podia ter sido melhor para nós as duas.

Ela já tem 4 anos e o medo vive ao meu lado, ou está dentro de mim não sei, continua bem presente. Comentei com um amigo um dia destes que desde que fui mãe estou mais medrosa, tenho mais vertigens, já não me arrisco a subir a árvores com medo de cair, andar de carroceis e eu sei lá mais o quê… é involuntário mas talvez seja o meu chip de mãe a garantir que eu estou cá por mais tempo e em boas condições para cuidar da minha filha.

Nem me atrevo a falar do meu medo de não estar a fazer um bom trabalho como mãe porque esse nunca se vai dissipar mas ainda bem porque é ele que vai garantir que eu me esforce cada vez mais para estar à altura da filha que me calhou na rifa!

É quase como ter um cão!

Comprei para a Madalena no final de Dezembro uma cadeira nova para a transportar no carro. Como esta tem Isofix (sistema que permite prender a cadeira ao banco do automóvel) tive colocar a cadeira do lado esquerdo junto ao vidro. Até agora ela andava no banco do meio super-satisfeita porque via os carros todos, mas com esta cadeira não dá porque fica ali a dançar e não é seguro. Ela não se aborreceu nada por mudar de lugar, até vai bastante satisfeita a ver o que se passa lá fora pela janela. Até aqui tudo bem!

Já tinha reparado que os vidros traseiros estavam um BOCADO sujos, mas nem liguei muito . Como viajamos no Natal com o cão no banco de trás pensei que tivesse sido ele. Pois se do lado direito só pode ter sido ele, do lado esquerdo não é bem a mesma história. Qual não é o meu espanto quando hoje dou com a menina Madalena a lamber os dedos e fazer desenhos no vidro com a baba!!! A SÉRIO?!?!? Mas onde é que ela vai buscar estas ideias? Eu lembro-me de quando era pequena e andava no carro do meu pai costumava fazer desenhos nos vidros quando eles estavam embaciados por causa da diferença de temperatura, mas nunca me passou pela cabeça fazer desenhos com baba.

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Agora que estou a escrever isto recordo-me que esta não foi uma estreia da Madalena, pois quando foi para a creche pela primeira vez uma das primeiras queixas que tive dela foi que ela fazia desenhos com baba  nos vidros da sala. Na verdade acho que também fazia o mesmo nos vidros da porta sala na casa da minha mãe.

 

Os confins do Youtube

A minha filha tomou posse do meu ipad, até se refere a ele como seu. Usa-o, entre outras coisas, para ver vídeos no YouTube normalmente pede para ver as músicas do Panda ou os Minnions (a sua nova perdição).

Escusado será que dizer que muitas vezes acaba por mudar de vídeos sozinha, qual não é o meu espanto quando ela encontra uns vídeos algo estranhos… Parem já as vossas mentes perversas que os vídeos que ela encontra são nada mais nada menos que alguém a esgravatar dentro de areia cinética de várias cores e encontrar lá dentro uns bonecos. Existem várias versões da mesma coisa, há uns que despejam tinta colorida em cima dos bonecos, outros que têm umas bolas às cores que dissolvem na água e revelam o boneco. UMA SECA!!! Supostamente estes vídeos são educativos e eles vão dizendo as cores em inglês. Ela acaba por repetir o que eles dizem e percebe a associação da palavra à cor em causa.

Então pergunta-me vocês qual é o problema destes vídeos? A banda sonora é sempre uma música irritante e repetitiva, mas ELA ADORA esta treta.

Balanço 2017

Nunca fui de fazer balanços quando chega o final do ano. Também não sou daquelas pessoas que fazem uma lista de objectivos para o ano seguinte. Quando chego a esta altura do ano apenas peço que o ano seguinte seja igual o melhor do que este. Na verdade tem sido sempre melhor… mesmo quando as coisas não correm como nós queremos acabamos sempre por aprender alguma coisa. Cada vez mais, chego à conclusão que sou uma pessoa positiva porque nesta altura nunca me lembro do que correu mal durante o ano. Apenas das coisas boas… É obvio que também já tive os meus anos menos bons, quando os meus avós morreram, quando o meu pai esteve internado por causa de uma trombose… Eu sei lá mais o quê. Nas não são esses momentos que ficam marcados. Sou muito agradecida pelas coisas que tenho (conquistado a pulso) e pessoas que tenho perto de mim. São elas que fazem ano após ano os meus dias felizes. Nesta passagem de ano vou tentar manter algumas das “minhas tradições”: cuecas azuis vestidas (de preferência novas), dinheiro no bolso (ou no sutian caso não tenha bolsos na roupa escolhida), os 2 pés bem assentes no chão e brinde com os meus amores (que são aqueles que levam o primeiro beijinho de 2018). Perguntam vocês e as passas? Nem vê-las oh coisa do inferno!