Ser mãe é viver em apneia.

Ontem apanhei um grande susto, daqueles sustos que só as mães apanham e entendem. O dia tinha corrido bem, fomos jantar a casa dos meus pais. A M. esteve a dormir a sesta até a hora de jantar, coisa que nem é costume.

Como o tempo estava bem feio nem ficámos a fazer sala em casa deles e rumamos a casa. Eu e ela de carro ele e o cão a pé. Ela ainda brincou um bocadinho com as coisas dela enquanto eu começava a arrumar a roupa que está para passar a ferro. Chega a hora de ir vestir o pijama e beber o leite e lá vamos nós ao ritual de todos os dias. Ela leva o pijama na mão e dirige-se à minha cama e eu deliciada com as suas conquistas. Brincámos um bocadinho em cima da cama com a colaboração do pai que tem o dom de a fazer rir às gargalhadas apenas por aparecer à porta do quarto,

Dispo-a para trocar a fralda e a roupa e reparo numa mancha vermelha a baixo do peito , comento com ele que diz que deve ser dela ter estado aos saltos em cima da cama que já passava. Depois reparo numa borbulha na zona da barriga. Peço-lhe o fenistil pois pensei que podia ser uma picada de um bicho… Mas não o vermelho aparece no pulso esquerdo e depois num pé. Passaram-se uns 5 minuos nisto e as manchas vermelhas ficam com pontos brancos. PÂNICO o que faço. Pego nela e vou dar-lhe banho. Ele enche a banheira enquanto eu a dispo. Uso só água pois temia que pudesse agravar o quer que seja que ela tivesse. Tiro-a da banheira e quando a estou a secar já tem manchas e pintas brancas nos 2 pés e atrás de uma das orelhas. NEM PENSAR QUE VOU ESPERAR MAIS!!! Vamos para o hospital. Stresso com ele e ele stressa comigo porque não podemos stressar com o “bicho” que está a assombrar a minha M.. E ela ? Ela continua na boa como se não fosse nada com ela.

Chegamos ao hospital está um frio do demo! Que dia!!! Chuva e vento que parecia que nos ia fazer voar para o outro lado do rio.

O senhor do guiché está ao telefone, parece que uma eternidade até que ele desliga. Fazemos a ficha. Stresso com ele e ele comigo. Vamos à triagem a M. assim que vê o enfermeiro começa a gritar e chamar por mim (ai como doi ouvir um filho a chorar… mas desta forma ainda não tinha ouvido, custa mais quando ela alem de chorar chama Mãe como se estivesse a pedir que a livrasse daquele monstro). As manchas continuam a avançar, a mancha maior da barriga desapareceu mas há mais manchas por outras partes do corpo, neste momento ela tem o pescoço todo vermelho por baixo. Ele dá-nos uma pulseira AZUL!!! AZUL?!?!? A miúda a mudar de cor e cheia de manchas e dão-me uma pulseira de pouco urgente. Lá está o meu neurónio a fritar novamente.

Vamos para a sala de espera e ela atrevida como é mete-se com os meninos todos, além da birra do sono não parece dar conta do que se está a passar. Apesar da pulseira azul somos chamados relativamente rápido.

A M. é vista pelo pediatra (isto enquanto chora desalmadamente mais uma vez) ele não tem certeza do que se trata e diz que vai chamar uma colega. Nestes momentos de espera foi como se estivesse com a respiração suspensa. Ele não sabe!?!?! Ai… Será que me estou a tornar hipocondríaca no que se trata a doenças na minha filha. Penso o pior… Eu penso sempre o pior.

Veio a colega e diz que é uma reacção alérgica que lhe iam dar atarax e que ficava em vigilância. Assim foi ela berrou para beber o anti-estamínico mas teve que ser. Passado uma hora, acho que nem sei quanto tempo se passou desde que vi a primeira mancha, reparei que as manchas estavam a desaparecer e que estavam a aparecer outras novas em zonas onde ainda não tinham aparecido. O “bicho” começa a perder a batalha e estava ela a dormir e a pediatra veio ver como ela estava, livre de manchas então deu alta. Passou atarax para tomar 5 dias. Lá vamos nós continuar com a gritaria porque dar-lhe qualquer coisa contra a sua vontade é o terror. És mesmo filha da tua mãe.

A minha tortura continua porque ando aqui às voltas a pensar no que lhe poderá ter causado esta reacção alérgica.

Voltamos para casa, eu stresso com ele e ele comigo. Vamos todos dormir a desejar que estas horas tenham sido apenas uma invenção do Demo.

Mãe sofre e fica em apneia por dias a cada acontecimento destes. Só uma mãe conseguirá entender o que é ter um filho doente e não poder tomar o seu lugar e ficar com todos os bichos que os atormentam. Só uma mãe, um pai sofre mas numa dimensão diferente…

De qualquer das formas obrigada por estares lá!

A Minnie já está preparada para o Carnaval e tu?

Eu continuo com os fatos por costurar!!!

Silhouette portrait amo-te

Já fiz o test drive.  E saíram estes bichinhos que colei em cartões para a M. brincar. Já estão amarrotados porque ela jogou – lhe as mãos antes de eu ter oportunidade de tirar foto.
Ela cresce a olhos vistos. As suad mãos têm ventosas que agarram tudo o que não devem.

Trapista

Ser Mãe Mulher

Sinto que desde que fui mãe perdi-me com tudo o que ganhei. 
Não eu não estou insatisfeita com o facto de ser mãe, pelo contrário nos dias que correm é a única coisa que me enche. Mas sinto falta de ser só eu… De ser eu… A mulher e não a mãe. Entendem? Vivo em função da minha filha, do meu marido e da minha casa, do trabalho… Daquilo que os outros precisam e merecem. Por mais que tente nunca consigo ser egoísta e pensar só em mim. Ás vezes até acho que me esqueço de mim.
As pessoas quando estão comigo (salvo poucas excepções) perguntam como está a minha filha e o Marido. Se algo corre mal o comentário é ainda tens a tua filha… Porra e eu?!?! Não mereço ter aquilo que quero? 
Não sei se as outras mães se sentem assim, mas às vezes penso porra as pessoas esquecem-se que nós somos mais do mães. Sinto falta de alguma coisa que não sei bem o que é… pareço uma criança eu sei, mas às vezes sabe bem ser mimada e ser o centro das atenções. 
Acho que senti isto logo no dia seguinte ao nascimento da minha filha, quando os nossos familiares a vieram conhecer. Muitos deles sem se aperceberem nunca olharam para mim e nunca perguntaram e tu como te sentes. Na verdade se o fizessem eu diria que estava tudo bem, porque tento sempre esconder as minhas fraquezas, Eu sei que tendo um bebé lindo como a minha M. pela frente é difícil olhar para outro lado. O pensamento fica toldado e só pensamos como é linda.  
Ser mãe é passar para segundo plano e ser muito feliz com esta posição! E eu não sou excepção.
No centro de tudo estás tu M. 
Obrigada por me teres dado a felicidade eterna. 

Uma teoria minha

Acho que o universo deveria ter uma teoria que obrigasse toda a roupa suja e/ou por passar a ferro que chegasse ao limite superior do cesto se sumisse e fosse toda parar ao seu devido lugar. Eu sei que isto não ia acabar com a roupa por lavar e passar a ferro, mas ia ser uma GRANDE ajuda (pelo menos no meu caso) para garantir que ela não se acumulava. Claro que se esta lei fosse válida ia já a correr comprar um cesto mais pequeno para cada uma das categorias. 
Raios a parta mais a roupa, parece que fez um acordo com o demo para estar sempre fora do lugar. É uma história sem fim à vista… E o pior é que eu sei que por mais que eu reclame ela nunca vai acabar!

Pronto já reclamei agora vou voltar a pensar em como vou resolver para lavar, secar e passar a montanha de roupa que tenho.