Ep 5 – As coisas que me incomodam: o livro da menina e o livro do menino

Fui comprar um presente para uma amiguinha da Madalena à Fnac e eis que me deparo com 2 livros que me deixaram cheia de comichões. Coisas de menino e coisas de menina! Não julguei os livros logo numa primeira abordagem e na minha inocência achei que a diferença estava só na capa. Pois bem enganei-me! As mensagens que estão nos livros são boas e pretendem passar valores importantes às crianças mas com esta segregação foi tudo pelo cano a baixo.

O pior de tudo é que não é a primeira vez que eu encontro livros deste tipo, já tinha falado nisso uma vez aqui.

Com estas coisas em vez de estarmos a educar os nossos filhos para não verem diferenças entre homem e mulher, estamos a dizer-lhes que é normal haver desigualdade entre homens e mulheres e que há coisas que são só das mulheres e coisas que são só dos homens.

Eu mãe de uma menina e de um menino quero que eles sejam tratados de igual forma independentemente do seu género.

Mas isso sou eu!!!

Coisas para fazer antes que eles cresçam

Segurá-los no colo durante uma hora inteira, enquanto ele dorme em seus braços (não te esqueças que dentro de pouco tempo já o seu corpo já não vai caber todo nos teus braços).

Sentir a mão minúscula deles a agarrar o teu mindinho, e pensar que eles já têm muita força.

Cheirar cabelo deles e guardar para sempre na memória aquele aroma.

Fazer caretas só para o fazer rir e entender que a felicidade está ali naquele ser pequenino.

Deixá-lo dormir na tua cama só porque sim.

Passar uma tarde inteira a apanhar conchas na praia.

Marcar as sua altura a cada ano que passa.

Inventar a história antes de ir dormir, mesmo que isso signifique que não faça sentido nenhum.

A mãe sabe tudo e vê tudo, aproveitar este dom enquanto eles não duvidam dessa verdade universal.

Brincar às escondidas e fingir que não os estão a ver mesmo que eles tenham metade do corpo de fora do esconderijo ou apenas estejam tapados pelo cortinado.

Brincar ao faz de conta: beber chá imaginário, comer a comida do restaurante que eles acabaram de abrir ou brincar de super-herói com direito a correrias pela casa de capa e tudo.

Fazer e decorar um bolo de aniversário (mesmo que ele não fique um espanto eles dirão que é o bolo mais lindo do mundo).

Abraçá-lo com todas as tuas forças quando o fores buscar à escola. Aproveitando enquanto eles não têm vergonha em serem vistos abraçados à mãe.

Dizer-lhes amo-te todos os dias! Para que nunca, nem por um segundo, eles deixem de acreditar que tu vais estar lá sempre que eles precisarem.

O tempo voa e por isso temos que fazer um esforço para criarmos nos nossos filhos boas recordações.

Ep 4 – As coisas que me incomodam: roupa de menino vs roupa de menina

Related imageAté ser mãe de um rapaz este flagelo passava-me ao lado, porque andava super encantada com o mundo rosa e com as inúmeras opções de roupa existentes. Consegui sempre encontrar alguma coisa que gostasse para vestir à Madalena sem ter que vender um rim. Mas agora a coisa mudou de cenário.

Desde que soube que estava grávida de um rapaz, e que comecei a olhar com outros olhos para a secção de roupa de menino é que me apercebi desta parvoíce. As opções de roupa para menino são MUITO menos, e não precisamos estar a ver com atenção os artigos expostos. Basta olhar para a área ocupada nas lojas para cada um dos géneros, a zona de roupa menina é sempre maior, muitas vezes até acho que chega a ser o dobro.

Já ouvi várias vezes dizer que quem tem filhas meninas gasta mais dinheiro em roupa e eu sempre achei que isso não era bem verdade. Mas agora que me passa pela pele vejo que é verdade. A Madalena nesta fase do campeonato já possuía uma extensa colecção de sapatos e vestidos além daquelas roupas básicas que todos os bebés têm!

Já o Pedro é contemplado apenas com o essencial. E porquê?

Não que eu não tenha procurado por coisas para comprar para ele, mas porque nunca encontrei aquilo que queria (e atente-se que não estou disposta a dar uma pequena fortuna por 50 cm de pano). A desculpa que dou a mim mesma é: “não posso estar a comprar muita coisa porque os bebés crescem muito rápido e ele só vai usar isto 2 ou 3 vezes”.

Fico um bocadinho triste e por vezes frustrada por não encontrar/achar roupas de menino que goste, talvez seja porque ainda estou com o chip de mãe de menina ligado e só fico derretida por vestidos e coisas rosa e brilhantes.

Por haver menos escolha para as roupas de rapaz estamos a dar força ao dizer que mãe de menina vai à falência. Mas podem ficar descansados já fui às compras de roupa para o Pedro e já me desgracei. O miúdo está a crescer a olhos vistos e rapidamente terei que ir novamente às compras.

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Já agora dica para os interessados a Primark está com umas camisolas de manga comprida muito giras e super baratas que tanto dão para menino como para menina. Bem visto as mais bonitas/fixes estão na secção de menino. 😉

Ep 3 – As coisas que me incomodam: barreiras arquitectónicas

Voltar a ter um bebé é muito bom e trás-me uma grande quantidade de boas memórias, mas também me relembra como ficava chateada com a dificuldade em andar a conduzir um carinho de bebé.

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Só nos damos conta da dificuldade que é andar a empurrar um carrinho sem ter que dizer meia dúzia de palavrões (nem que seja só mentalmente) quando o temos que fazer. Desengane-se quem pensar que é fácil porque aquilo tem umas rodas todas catitas… Não é só ao andar pelas ruas de paralelos cheia de buracos que é difícil andar a conduzir e que estamos numa versão contemporânea dos jogos sem fronteiras. Reparem que não sou só eu que me queixo já a Pipoca falou neste flagelo um dia destes. Nada disso em todo o lado temos obstáculos: nos centros comerciais o espaço entre lugares de estacionamento é minúsculo e temos que fazer quilómetros para conseguir chegar à entrada; os elevadores existentes nos mesmos são poucos e muitas vezes estão cheios com pessoas que podiam perfeitamente ir pelas escadas rolantes (eu sei que estou a julgar sem saber, mas é o pensamento que me ocorre quando vem o elevador pela terceira vez cheio de pessoas ditas “normais”); os restaurantes têm pouco espaço entre mesas e o carrinho tem que ficar num sítio onde se arrisca a levar com a travessa da carne em cima; os passeios não estão rebaixados e temos que andar a fazer cavalinhos com o carrinho e rezar para que aquilo não se vire… Já não vamos falar das pessoas que estacionam em cima dos passeios e que nos obrigam a ir para a estrada com o carrinho (e no meu caso com outra criança pela mão) correndo o risco de sermos atropelados… um sem número de coisas que cada vez que se esbarram no meu caminho me dão vontade de praguejar… Não o faço em voz alta, mas vou sempre a resmungar…

Mas vamos lá ver as coisa pelo lado positivo com todas estes obstáculos sempre faço um bocado de exercício enquanto passeio o meu filho. Ou seja isto é uma estratégia para as mães voltarem à sua forma pré-gravidez. Só que não!

2 Meses

O tempo corre e não pára.

Já estamos no segundo mês. Dois meses desde aquele dia em que as coisas foram diferentes do que a mãe tinha planeado/preparado. Mas a vida é assim cheia de surpresas e reviravoltas e são elas que também nos fazem crescer. Dois meses desde que vi o homem da minha vida.

Filho meu só passaram 2 meses mas parece que sempre estiveste comigo.

Tu és MEU ouviste?

Meu e da Madalena que responde (com grande sabedoria) a todos os que lhe dizem que vão levar o mano ou que perguntam se ela lhes pode dar o mano: “ele nasceu para mim não foi para ti!”

É verdade ele nasceu para ti filha, e para mim. Vocês nasceram de mim e para mim… E eu estarei aqui para vocês até ao fim dos tempos.