Ep1 – As coisas que me incomodam: WC públicos e crianças

Sou uma contestatária, quem me conhece sabe que estou sempre a refilar. Mas no fim das contas sou como aqueles cães pequenos que ladram muito mas depois não mordo a ninguém. Começo hoje uma série de posts, digo eu agora que tive um bocadinho para me sentar, onde falo das coisas que me incomodam no decorrer do meu dia a dia de mãe e mulher e que acho eu seriam simples de ser mudadas.

A ideia de escrever sobre este assunto surgiu no passado domingo. Voltámos de férias e tivemos que parar na estação de serviço de Leiria para comer e ir ao WC. Quem é mãe ou pai sabe o suplício que é ter que ir com eles à casa de banho fora de casa. Mas não há como evitar esse acontecimento trágico.

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Vamos as duas, mãe e filha, à casa de banho e a primeira coisa que eu digo à Madalena  é: “Não toques em nada!”. O que na cabeça dela é entendido como: “podes mexer em todo o lado, à vontadinha!”. Depois há toda uma logística para conseguir que ela faça xixi no sítio que é suposto porque a sanita está sempre uma grande imundice e não a vou sentar naquele pote gigantesco de germes. Então acabo sempre por fazer um equilibrismo para a conseguir manter suspensa em cima da sanita e rezo para que o xixi não me acerte nos pés ou nas pernas e para que no meio de tanto equilibrismo ela não molhe a roupa. Se conseguir estas duas coisas já é meio caminho andado para a coisa correr “bem”. Depois chega à minha vez de fazer xixi, o que para a minha filha é o equivalente a dizer: “podes abrir a porta e mostrar às senhoras que estão lá fora a tua mãe a fazer xixi em modo equilibrista.” Todas nós sabemos as figurinhas que fazemos para conseguir fazer xixi sem tocar em nada e o belo exercício de pernas que a tarefa exige.

Este processo poderia ser um bocadinho menos penoso se as pessoas, utilizadores das casas de banho por esse país fora, fossem um bocadinho mais civilizadas. Mas isso não acontece, o que se verifica é que desde que consigam despachar o seu xixi não importa como ficou a casa de banho para o próximo utilizador/a. 

Já que estamos a falar de idas com a Madalena à casa de banho, outra coisa que me incomoda é não haverem obrigatoriamente casas de banho familiares em todos os locais públicos, ou seja casas de banho em que tanto o pai ou a mãe poderiam ir com o filho/a e onde o existissem sanitas em ponto pequeno para as crianças. Alguns centros comerciais já as têm e acho fantástico. Desde as sanitas mais pequenas até aos lavatórios mais baixos para que os miúdos não tenham que se pendurar ou que nós tenhamos que lhes pegar ao colo para eles lavarem as mãos. Digo isto porque sei que o meu marido não se sente nada confortável a levá-la ao WC dos homens e diga-se de passagem eu também não acho muita piada.

Será estas coisas só me incomodam a mim?

Ou será que já estou a delirar por causa da privação do sono?

 

Flores para Ela, vinho para Eles…

Ontem foi a festa de final de ano da escola da minha filha e muito há para partilhar sobre esse ACONTECIMENTO! Mas isso são outros capítulos da mesma história…

No final da primeira parte da festa, depois dos meninos que têm actividades extra-curriculares fazerem as suas apresentações, os professores responsáveis foram chamados ao palco para serem aplaudidos pelo seu fantástico trabalho.

Parêntesis na conversa: Os professores fizeram o que se esperava, não menosprezo o seu trabalho, mas neste dia os artistas eram as crianças e elas sim tinham que ser elogiadas e colocadas no foco da atenção. Mas isso são pequenas coisas que nem todas as pessoas conseguem ver ou entender da mesma forma que eu .

Voltando ao palco… Foram chamados o professor de música, o professor de ginástica, o mestre de judo e a professora de dança. Três homens e uma mulher! A escola quis dar um miminho a cada um deles, e acho muito bem. O que me deixou revoltada foi o facto de à professora ter sido dado um ramo de flores e aos professores uma garrafa de vinho.

Ora cá está! A mulher não pode receber uma garrafa de vinho de presente? Ou o homem não pode receber um ramo de flores? Fiquei triste porque eu estou a lutar para que a minha filha não veja o homem e a mulher como diferentes ou como pré-destinados para determinados papeis.

2018-05-18-13-57-28.jpgNesse mesmo dia de manhã tinha falado com ela sobre não haver brinquedos de meninas e brinquedos de meninos. Isto depois dela me ter dito que na sala da escola dela havia essa separação.

 

Está tão enraizado na nossa sociedade estas discriminações e cabe-nos a nós pais e mães educadores da nova geração contrariar este movimento. E começa por mudar coisas pequenas como a escolha de presentes numa situação destas… Estou para aqui a falar, mas talvez aquela mulher prefira mesmo receber um ramo de flores ou então não, talvez ela prefira ser tratada de igual forma e uma garrafa de vinho fosse o presente perfeito para ela.

Eu como mulher, mãe e neste momento grávida impedida de tocar em álcool à meses, ia adorar receber uma garrafinha de vinho. Mas mais que isso ia adorar perceber que estava a ser tratada de igual forma. Independentemente do meu género.

Mas isso sou eu!!!

 

 

Grávida depois dos 35…

Nunca me achei velha… acho que nunca me vou achar… Serei como a minha avó Ofélia que dizia que as outras é que eram velhas. Quando pensei em engravidar novamente é claro que me veio à cabeça a idade que tinha, mas nunca por me achar velha demais para voltar a engravidar, mas porque fiz contas à possibilidade de voltar a ser mãe novamente. Sim eu gostava de ir ao bebé número 3, mas isso digo eu agora que ainda tenho o número 2 no forno.

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Inconscientemente eu sempre pensei que os 40 anos já era aquela idade em que as mulheres são consideradas “velhas” para engravidarem. Todos sabemos que existem mulheres que são mães com idade bem superior a esta, mas na minha cabeça são sempre consideradas excepções e eu nunca me coloquei no lugar delas. Descobri que os 35 anos são considerados como uma espécie de “data-limite” para ter uma gravidez saudável e que potencial de fertilidade da mulher baixa consideravelmente a parir dos 35 anos, mas hoje em dia existem várias ferramentas para contornar esta limitação.

Eu deparei-me com o muro dos 35 anos quando a minha médica de família me disse numa consulta que como já tinha esta idade estava indicada para fazer amniocentese. Caiu-me tudo!!! Como assim, mas isso não era só quando temos 40 anos??

Pois parece que não. Todas as mulheres com 35 ou mais anos estão indicadas, caso pretendam, para fazer anmiocentese no serviço nacional de saúde. Na minha cabeça acenderam todas as luzes vermelhas possíveis, mas sempre esteve presente a minha vontade de não o fazer. Fui encaminhada para o hospital e lá foi apresentado novamente o cenário “terrível” de ser mãe depois dos 35. Mesmo tendo em consideração que podia fazer este exame optei por fazer apenas o rastreio bioquímico combinado e ver o resultado para voltar a pensar na hipótese de fazer a a amnio. Tudo correu pelo melhor, os resultados do rastreio combinado não estão de acordo com a probabilidade dada apenas pela idade, na verdade estão MUITO longe do valor. Mas vou-vos confessar mesmo que tivesse dado um valor próximo eu não optaria pela amnio. Esta gravidez iria prosseguir o seu curso independentemente do que viesse no resultado desse exame. Então para quê submeter-me a um exame invasivo que tem riscos associados.

Dei outra cabeçada no muro dos 35, mas desta vez para o derrubar, quando fui à primeira sessão do curso para a parentalidade no hospital. Na típica apresentação das mães presentes deparei-me com um leque de mães com idades superiores à minha. Nada de estranho, uma vez que este curso é dado no hospital e são apenas as grávidas que têm algum tipo de problema de saúde que são seguidas lá, eu sou só a penetra que aproveitou a possibilidade de aprender mais. Sabe-se também que as mães de idade superior a 35 têm maior tendência a doenças gestacionais, como por exemplo a diabetes e a hipertensão. O que me surpreendeu foi o facto de todas, ou quase todas estarem à espera do seu primeiro filho. Eu sabia que as mulheres são mães cada vez mais tarde, mas nunca me tinha deparado com esta realidade de tão próximo.

Conclusão: velhos são os trapos. E mesmo assim ainda servem para alguma coisa.

Ser mãe é a melhor coisa do Mundo. Nem consigo imaginar como é que e este amor imenso que eu já tenho pela Madalena vai conseguir crescer mais para abraçar outro filho.

 

Ser mãe é ter medo

Cada vez faz mais sentido para mim esta afirmação: ser mãe é ter medo. Desde que descobri que estava grávida da Madalena passei a ver o mundo com outros olhos e a palavra e o sentimento – medo – passaram a fazer parte do meu vocabulário. Os primeiros 3 meses há o medo de as coisas não estarem bem com o bebé, o medo de abordar, o medo de comer e fazer certas coisas… coisas simples como subir a uma cadeira e tirar algo pesado de cima de um armário. No segundo trimestre os medos começam (pelo menos para mim) a diminuir, mas se pensar bem ele anda sempre presente. Entramos no terceiro trimestre e aí chega o medo que a criança nasça cedo demais, antes de estar completamente formada, e há para muitas mulheres o medo do parto.

Eu acho que nunca tive medo do parto, não sei porquê mas foi a algo que sempre encarei com tranquilidade. Apesar de todas as mulheres com quem falava sobre o parto, ou melhor que faziam questão sem eu pedir, partilharem a sua experiência trágica do parto. Parece que há a necessidade de mostrar que foi muito difícil e que elas foram umas desgraçadas e sofreram muito e que nós também temos que sofrer. Mulheres por favor se a vossa experiência foi má não assustem as grávidas de primeira maré, antes de começarem a falar do horror da tragédia perguntem se elas querem saber! E se não têm algo se bom ou agradável para dizer por favor ESTEJAM CALADAS!

Mas voltando ao medo, depois da criança nascer o primeiro medo (pelo menos o meu foi) será que eu tenho leite para ela? Esse foi também um dos medos que me acompanhou durante a gravidez… e infelizmente acabou por se confirmar, não consegui alimentar em exclusivo a minha filha com leite materno. Na verdade tambem não tive acompanhamento nesta área, nunca ninguém nas minhas idas ao médico me perguntou se eu precisava de ajuda nesta questão que é o amamentar. Foi uma experiência dolorosa, física e psicologicamente, e como tal a melhor opção na altura era o leite adptado. Não posso mudar a história, não acredito que tenha feito mal. Só penso que podia ter sido melhor para nós as duas.

Ela já tem 4 anos e o medo vive ao meu lado, ou está dentro de mim não sei, continua bem presente. Comentei com um amigo um dia destes que desde que fui mãe estou mais medrosa, tenho mais vertigens, já não me arrisco a subir a árvores com medo de cair, andar de carroceis e eu sei lá mais o quê… é involuntário mas talvez seja o meu chip de mãe a garantir que eu estou cá por mais tempo e em boas condições para cuidar da minha filha.

Nem me atrevo a falar do meu medo de não estar a fazer um bom trabalho como mãe porque esse nunca se vai dissipar mas ainda bem porque é ele que vai garantir que eu me esforce cada vez mais para estar à altura da filha que me calhou na rifa!