Agora já estou a sofrer novamente porque vou passar 4 dias fora do país e já sei o que me doí deixá-la. É nestas alturas que eu penso que nós, mães, devíamos ser como os cangurus que têm aquela bolsa na barriga e metia-la lá dentro e levava-a comigo para todo o lado.
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Viver num prédio com reformados
Eu vivo num prédio bastante sossegado, os meus vizinhos são quase todos reformados ou estão em idade disso. Há uns meses, tipo 2 ou 3, mudaram-se mais um casal de reformados para o prédio ao lado do meu. Nunca se dá conta deles estarem em casa senão à noite na hora da telenovela que coincide com a hora que eu estou a adormecer a M.. Como a minha casa está em pleno sossego consigo ouvir o som da televisão deles. O marido já tinha comentado comigo que de vez enquando ouvia uma musiquinha, se eu também a ouvia. Eu achei que ele estava tolo, nunca ouvia nada disso. Até que um dia destes já estamos deitados na cama mas ainda acordados e ouvimos os dois a música. Ele olha para mim e diz ouviste e eu digo ouvi, finalmente!!! E digo-lhe até já sei o que é esta musiquinha é um relógio que os nossos novos vizinhos têm que toca a cada hora. Ele não acreditou em mim até que uma hora depois toca de ouvir novamente. Agora todos os dia ouço o raio da musiquinha e rio-me sozinha. Estas pérolas só são possíveis quando se vive num prédio de pensionistas. ADORO!
Ser mãe é viver em apneia.
Ontem apanhei um grande susto, daqueles sustos que só as mães apanham e entendem. O dia tinha corrido bem, fomos jantar a casa dos meus pais. A M. esteve a dormir a sesta até a hora de jantar, coisa que nem é costume.
Como o tempo estava bem feio nem ficámos a fazer sala em casa deles e rumamos a casa. Eu e ela de carro ele e o cão a pé. Ela ainda brincou um bocadinho com as coisas dela enquanto eu começava a arrumar a roupa que está para passar a ferro. Chega a hora de ir vestir o pijama e beber o leite e lá vamos nós ao ritual de todos os dias. Ela leva o pijama na mão e dirige-se à minha cama e eu deliciada com as suas conquistas. Brincámos um bocadinho em cima da cama com a colaboração do pai que tem o dom de a fazer rir às gargalhadas apenas por aparecer à porta do quarto,
Dispo-a para trocar a fralda e a roupa e reparo numa mancha vermelha a baixo do peito , comento com ele que diz que deve ser dela ter estado aos saltos em cima da cama que já passava. Depois reparo numa borbulha na zona da barriga. Peço-lhe o fenistil pois pensei que podia ser uma picada de um bicho… Mas não o vermelho aparece no pulso esquerdo e depois num pé. Passaram-se uns 5 minuos nisto e as manchas vermelhas ficam com pontos brancos. PÂNICO o que faço. Pego nela e vou dar-lhe banho. Ele enche a banheira enquanto eu a dispo. Uso só água pois temia que pudesse agravar o quer que seja que ela tivesse. Tiro-a da banheira e quando a estou a secar já tem manchas e pintas brancas nos 2 pés e atrás de uma das orelhas. NEM PENSAR QUE VOU ESPERAR MAIS!!! Vamos para o hospital. Stresso com ele e ele stressa comigo porque não podemos stressar com o “bicho” que está a assombrar a minha M.. E ela ? Ela continua na boa como se não fosse nada com ela.
Chegamos ao hospital está um frio do demo! Que dia!!! Chuva e vento que parecia que nos ia fazer voar para o outro lado do rio.
O senhor do guiché está ao telefone, parece que uma eternidade até que ele desliga. Fazemos a ficha. Stresso com ele e ele comigo. Vamos à triagem a M. assim que vê o enfermeiro começa a gritar e chamar por mim (ai como doi ouvir um filho a chorar… mas desta forma ainda não tinha ouvido, custa mais quando ela alem de chorar chama Mãe como se estivesse a pedir que a livrasse daquele monstro). As manchas continuam a avançar, a mancha maior da barriga desapareceu mas há mais manchas por outras partes do corpo, neste momento ela tem o pescoço todo vermelho por baixo. Ele dá-nos uma pulseira AZUL!!! AZUL?!?!? A miúda a mudar de cor e cheia de manchas e dão-me uma pulseira de pouco urgente. Lá está o meu neurónio a fritar novamente.
Vamos para a sala de espera e ela atrevida como é mete-se com os meninos todos, além da birra do sono não parece dar conta do que se está a passar. Apesar da pulseira azul somos chamados relativamente rápido.
A M. é vista pelo pediatra (isto enquanto chora desalmadamente mais uma vez) ele não tem certeza do que se trata e diz que vai chamar uma colega. Nestes momentos de espera foi como se estivesse com a respiração suspensa. Ele não sabe!?!?! Ai… Será que me estou a tornar hipocondríaca no que se trata a doenças na minha filha. Penso o pior… Eu penso sempre o pior.
Veio a colega e diz que é uma reacção alérgica que lhe iam dar atarax e que ficava em vigilância. Assim foi ela berrou para beber o anti-estamínico mas teve que ser. Passado uma hora, acho que nem sei quanto tempo se passou desde que vi a primeira mancha, reparei que as manchas estavam a desaparecer e que estavam a aparecer outras novas em zonas onde ainda não tinham aparecido. O “bicho” começa a perder a batalha e estava ela a dormir e a pediatra veio ver como ela estava, livre de manchas então deu alta. Passou atarax para tomar 5 dias. Lá vamos nós continuar com a gritaria porque dar-lhe qualquer coisa contra a sua vontade é o terror. És mesmo filha da tua mãe.
A minha tortura continua porque ando aqui às voltas a pensar no que lhe poderá ter causado esta reacção alérgica.
Voltamos para casa, eu stresso com ele e ele comigo. Vamos todos dormir a desejar que estas horas tenham sido apenas uma invenção do Demo.
Mãe sofre e fica em apneia por dias a cada acontecimento destes. Só uma mãe conseguirá entender o que é ter um filho doente e não poder tomar o seu lugar e ficar com todos os bichos que os atormentam. Só uma mãe, um pai sofre mas numa dimensão diferente…
De qualquer das formas obrigada por estares lá!
Perturbações do sono
Agora que ela já tem 15 meses e já deixou de ter que comer durante a noite acorda sabe-se lá porquê e choraminga sempre à mesma hora, 4h30 da madrugada. Eu levanto-me e na grande maioria das vezes basta dar-lhe um bocadinho de água e meter a chucha novamente e ela fica a dormir até às 10h da manhã. É uma anjinha.




